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Foi realizado na Universidade de Pécs, na Hungria, entre os dias 22 e 24 de junho de 2005, o 17º Congresso da Sociedade Internacional de Szondi (SIS – Szondi International Society). O tema central do congresso foi "Análise do Destino: Direções inovadoras na teoria e na prática", que procurou abrir espaço para novos contextos de aplicação da teoria e trouxe novos questionamentos, principalmente em relação aos fundamentos biológicos dos distúrbios psiquiátricos e da personalidade.

Participaram do evento aproximadamente 60 pessoas, provenientes de países europeus como Hungria, Suíça, Bélgica, França, Portugal, Suécia, Finlândia, Polônia e Romênia, contando, ainda com a presença de representantes do Brasil e dos EUA.

Os trabalhos apresentados giraram em torno de quatro grandes eixos: Psiquiatria e Neuropsiquiatria; Atualidade da Análise do Destino; Estudos de evidência de validade; Aplicações da Análise do Destino a novos contextos.

Dignas de destaque foram as conferências dos discípulos diretos de Szondi, Prof. Dr. Dietrich Blumer (University of Tenesee Health Science Center, EUA), Dr. Philip Seidel (Zurique, Suíça) e Prof. Dr Jacques Schotte (Gent, Bélgica).

Blumer apresentou o trabalho "Fundamento biológico da histeria e sua polaridade em relação à epilepsia", destacando que as correntes atuais das classificações psiquiátricas desconsideram a etiologia genética dos distúrbios psiquiátricos, excluindo os distúrbios paroxismais. Considera que, ao atribuir cientificidade apenas aos dados estatísticos, a psiquiatria moderna negligencia a existência dos aspectos psicodinâmicos. Enquanto a epilepsia passou a ser tratada como um distúrbio neurológico, a histeria foi substituída há 25 anos por termos descritivos como conversão, dissociação e somatização. Ao apresentar o resultado de suas pesquisas com pacientes epiléticos e pseudo-epiléticos (histéricos), demonstrou a existência da polaridade entre ambos, tal como concebido por Szondi: o ataque epilético é uma reação diante de ameaças internas provenientes do sistema límbico, enquanto que o ataque histérico é uma reação diante de ameaças externas ou de situações de perigo (startle response).

Na mesma linha de raciocínio, Seidel, em sua palestra sobre "Resultados de experiências terapêuticas em conexão direta com a psiquiatria farmacológica atual", criticou o distanciamento da psiquiatria molecular da psiquiatria clínica, que deve ser superado por meio da adoção de um paradigma funcional que considere a dupla natureza da pulsão: física e psíquica. Para ele a pulsão é o elo perdido entre o físico e psíquico. Ao relatar o resultado de suas pesquisas no tratamento de pacientes esquizofrênicos com neurolépticos, apresentou semelhanças do quadro, sob efeito dos medicamentos, com a síndrome parkinsoniana. Suas observações sugerem que o Mal de Parkinson está em oposição à Paranóia, assim como a Depressão está em oposição à Mania.

Schotte, em seu trabalho "Revisitando o problema dos circuitos das pulsões no sistema de Szondi", destacou a importância do modelo epistemológico na formulação de conceitos, pois a perspectiva a partir da qual se observa o fenômeno é fundamental para a compreensão da percepção. Para Schotte, a teoria sempre deve preceder a observação, entendendo que, ao se abandonar o modelo individual em favor do modelo descritivo, se adquire a possibilidade do tratamento estatístico dos dados, mas se perde a dimensão existencial. Critica o modelo DSM-IV, pois "ele pretende descrever as doenças como se descreve plantas e animais", negligenciando a dimensão existencial do ser humano.

Muito interessante foi a contribuição do Dr. György Révész, da Universidade de Pécs, sobre a relação entre a percepção facial e a personalidade, visando entender o processo de reconhecimento de emoções e de identificação de intenções, bem como a chave da atratividade e do julgamento do caráter de uma pessoa. Seus estudos mostraram que a percepção do rosto humano e a avaliação que se faz das pessoas a partir dele se dá em milésimos de segundo, obedecendo a padrões estéticos universais inconscientes e independentes da cultura, seguindo três etapas: percepção, reconhecimento e atribuição.

Uma vez que o movimento szondiano, para que possa continuar a existir, depende da aproximação entre os profissionais e pesquisadores da área, em todo o mundo, Bruno Gonçalves (Universidade de Lisboa) apresentou o projeto do Arquivo Internacional de Szondi, que visa facilitar a atividade de pesquisa sobre a Análise do Destino e sobre o Teste de Szondi, centralizando, digitalmente, protocolos, projetos e resultados de pesquisa. O arquivo digital será acessível a instituições e pessoas devidamente cadastradas e obedecerá a normas éticas internacionais e de segurança do banco de dados, estando sob coordenação dos institutos de psicologia de Lisboa (Portugal), Pécs (Hungria) e Louvain-la-Neuf. (Bélgica).

No congresso foram apresentados vários estudos de evidência de validade do Teste de Szondi, atendendo a uma exigência crescente dos meios científicos, suprindo, ao mesmo tempo, a falta de estudos atuais sobre ele.

Por fim, os trabalhos inovadores, aplicando os conceitos da Análise do Destino na interpretação de narrativas biográficas, na análise da história e da relação conjugal, bem como no contexto organizacional abriram uma nova perspectiva de aplicação e desenvolvimento da Análise do Destino. Nesse contexto, a contribuição brasileira se destacou pelo pragmatismo e criatividade, traduzindo os conceitos szondianos para a experiência concreta através de módulos vivenciais com a oficina "Circuit Training das Pulsões". A metodologia HumanGuide®, desenvolvida e apresentada por Rolf Kenmo, foi ilustrada por Giselle Welter com um estudo de caso, no qual foi aplicada a teoria szondiana na análise da cultura e no desenvolvimento organizacional, resultando no planejamento estratégico com o objetivo de superar os riscos associados ao excesso ou carência de determinados fatores na cultura da empresa.

O congresso chegou ao fim, com a discussão sobre o futuro do movimento szondiano e sobre a contribuição da Análise do Destino para a humanização das pulsões no século XXI, reforçando a necessidade de se investir mais em pesquisas e na aproximação dos profissionais interessados na teoria. O 18º Congresso Internacional de Szondi será em Portugal, com sede na Universidade de Lisboa, em julho de 2008.

Uma breve descrição da Análise do Destino

Leopold Szondi (1983-1986) entendia que o ser humano será feliz ao escolher caminhos importantes de sua vida em conformidade com suas necessidades pulsionais. Uma vez satisfeitas, ele se exporá menos a complicações pulsionais inúteis e, por conseguinte, estará mais defendido contra desequilíbrios psíquicos eventuais. Nessa perspectiva, as escolhas visam à satisfação de necessidades pulsionais, que atuam como matriz da motivação, configurando o seu destino.

Szondi emprega o termo pulsão (Trieb), para explicar a motivação humana, reconhecendo a necessidade de admitir quatro vetores pulsionais, hereditários e irredutíveis um ao outro. Cada vetor pulsional é constituído de dois fatores, ou sistemas de necessidade, com uma tendência positiva e negativa. Para Szondi as psicopatologias, segundo a classificação psiquiátrica clássica, são a expressão doentia, extremada, dos sistemas de necessidade geneticamente herdados, que não encontraram uma maneira socializada ou humanizada de canalização ou satisfação. Um aspecto muito importante em sua teoria diz respeito à possibilidade de humanização das pulsões por meio do trabalho (operotropismo).

Os vetores pulsionais abrangem os seguintes fatores:

Vetor Sexual (S)
  Fator h (hermafrodistismo), feminilidade, sentimento maternal.  
  Fator s (sadismo), masculinidade, transformação da realidade.  
Vetor Paroxismal (P)
  Fator e (epilepsia), sentido ético, altruísmo.  
  Fator hy (histeria), sentido moral, necessidade de aceitação.  
Vetor do Ego (Sch)
  Fator k (esquizofrenia catatônica), constrição do ego (ter).  
  Fator p (esquizofrenia paranóica), inflação do ego (ser).  
Vetor do Contato (C)
  Fator d (depressão), necessidade de apegar-se.  
  Fator m (mania), necessidade de apoio.  


Para determinar o perfil pulsional do indivíduo, Szondi desenvolveu um teste projetivo que leva o seu nome, Teste de Szondi, constituído de rostos de homens e mulheres, todos portadores de algum distúrbio psiquiátrico, diante dos quais o testando é solicitado a expressar sua simpatia e antipatia. A escolha ou rejeição dos retratos expressa a relativa tensão existente entre os fatores pulsionais presentes no indivíduo. O manuseio do teste é bastante complexo e exige o conhecimento do conceito de projeção da teoria szondiana, o domínio de conceitos psicanalíticos, bem como dos fundamentos da Análise do Destino.

No Brasil existem núcleos szondianos em vários estados, atuando de forma ainda bastante isolada, principalmente no âmbito da psicologia clínica, hospitalar e criminal. Com a publicação do BBT - Teste de Fotos de Profissões, de Achtnich, e com a chegada da metodologia HumanGuide® ao Brasil, tem surgido um novo interesse pela teoria, o que pode trazer um importante impulso para a divulgação da Análise do Destino e para o fortalecimento do movimento szondiano em nosso país.

Para saber mais sobre a Análise do Destino acessar o site www.szondiforum.org e www.szondi.ch .

Giselle Welter
GW Vocação e Relações Humanas
www.gwconsult.com.br
+ 11 / 5687-8826

 
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