Giselle Mueller Roger Welter
Como dar conta da demanda familiar sem comprometer o desempenho profissional? Como ser uma boa profissional sem distanciar-se da família? Como se manter atualizada, como condição de desenvolvimento profissional, acompanhando o desenvolvimento dos filhos? O marido ajuda nos afazeres domésticos e na educação dos filhos? Ou ele aguarda a chegada da esposa, para que ela assuma seu papel de dona de casa? Sim, dona de casa, rainha do lar... Para muitos, este ainda é o seu lugar.
Historicamente, a mulher não estudava além do ginásio, e quando completava o colegial, invariavelmente era normalista. A conclusão do Curso Normal permitia que lecionasse nas séries iniciais, o que freqüentemente era interrompido com o casamento. Uma outra opção, quando permitido, era Secretariado, Enfermagem, Pedagogia, Serviço Social. Ou seja, à mulher cabia o papel profissional de atender, servir, se adaptar. Era muito raro uma mulher cursar Medicina, Direito, ou mesmo Engenharia, cursos nos quais havia absoluta predominância de homens.
Hoje, a situação mudou. Observamos que a mulher está conquistando o espaço antes ocupado exclusivamente pelos homens, seja na universidade ou em posições gerenciais. As estatísticas de aprovação no vestibular e os dados do IBGE têm documentado esse fato exaustivamente.
No entanto, embora a mulher esteja assumindo novas responsabilidades e enfrentando novos desafios ao ingressar no mercado de trabalho, ainda não abriu mão do seu papel de dona de casa. Ao desejar trabalhar, é comum buscar o consentimento do esposo, que o condiciona à não deixar faltar nada em casa. Mas a realidade mostra que cada vez mais a mulher ajuda no orçamento doméstico, figurando, muitas vezes, como cabeça de casal e arrimo de família.
Como profissional, a mulher procura dar conta das suas responsabilidades e comportar-se como se nada existisse além do trabalho. Procura superar-se e se fazer respeitar e valorizar pelos colegas, sem saber se deve mencionar, ou não o fato de ter. Sente-se mais à vontade para falar de política, do que da própria família. Ser profissional é abdicar da dimensão esposa e mãe? Mas o elevado nível de exigência em relação a si mesma convive com a dependência do apoio logístico de outras mulheres ou da cooperação da família.
Como superar essa situação?
Sendo honesta consigo mesma, identificando e aceitando os próprios limites, sensibilizando os membros da família no sentido de assumirem tarefas em casa, dividindo responsabilidades com o marido e os filhos. Aprendendo a delegar e a dizer não, sem sentimento de culpa. Dessa maneira, gradualmente, suas conquistas no âmbito familiar e doméstico se refletirão no trabalho, encorajando-a a pleitear aumento de salário, delegar tarefas, passar instruções e supervisionar o trabalho dos subordinados, ao invés de fazer tudo sozinha. A dupla jornada de trabalho exige organização e maturidade, favorecendo a aquisição e o desenvolvimento de competências cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho. Ser esposa, mãe e profissional é sinônimo de crescimento e desenvolvimento pessoal. É uma oportunidade valiosa, que, certamente, tem seu ônus e bônus.
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