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Giselle Mueller Roger Welter

Etiqueta corporativa... Como falar em público... Como investir no marketing pessoal...

Diariamente a mídia nos bombardeia com oferta de cursos e artigos que visam ao desenvolvimento da imagem pessoal. Hoje a imagem é tudo! O sucesso é medido a partir do grau de popularidade, da beleza e da fama individual. Causar impacto, surpreender, agregar valor, divulgar, promover, ser visto... ver.... Casa dos Artistas, Big Brother... Aos poucos o que era da esfera privada torna-se público.

Vivemos a Era do Espetáculo. Bem o disse Andy Warhol, ao prever que "todo cidadão teria 15 segundos de fama".

Mas, no momento em que nos colocamos dentro dessa perspectiva televisiva e marketeira, passamos a assumir nossa dependência da aprovação externa. É para o outro que destinamos o que fazemos. Ele deve reconhecer, aprovar e valorizar o que fazemos. Nossa auto-estima depende do que o outro pensa de nós. Mas, e quando o outro não nos reconhece? Ou, pior, quando ignora nosso esforço e o resultado dele?

Como saber quem somos se o outro não nos vê?

Como já dissera Erich Fromm: "Devemos distinguir a capacidade de amar do fato de sermos dignos de amor". No momento em que vivemos a ditadura da imagem, nos colocamos como objetos do outro. A conta bancária, o carro, o nariz perfeito, o corpo "turbinado", um estilo de vida "light" e descompromissado... será que isso nos faz mais felizes e nos torna mais dignos do amor do outro? Será que serei amado por isso?

Quantos profissionais competentes sofrem por não corresponderem ao ideal dinâmico, esportivo e de sucesso – ou seja, por não se destacarem na mídia? O que será daqueles que trabalham em silêncio tendo em vista um objetivo ambicioso e em longo prazo? Será que apenas o resultado em curto prazo, de curta duração e de forte impacto tem valor?

O "Zeitgeist" reinante – o espírito do nosso tempo - penaliza os discretos, tímidos, cautelosos, estáveis e pacientes. Não é a toa que carreiras diretamente associadas à imagem têm sido muito procuradas pelo jovens: Publicidade e Propaganda, Marketing, carreira de modelo, Decoração, Estilismo, Radio e TV, Artes Cênicas... O que será de Ciências Contábeis?

Aos jovens em início de carreira é colocada a necessidade de se venderem adequadamente em disputadíssimas dinâmicas de grupo no processo seletivo de diferentes empresas de renome. Surge a insegurança quanto à melhor forma de se comportar, se apresentar... Nessa hora a preocupação com a própria competência aparece em segundo plano, pois acreditam que é do marketing pessoal que irá depender sua contratação. Será? Será que a imagem tão bem talhada, controlada e monitorada consegue manter e garantir o sucesso profissional?

Analisando descrições de cargo de diferentes postos, podemos observar que o exercício profissional exige acentuado senso de organização e capacidade de planejamento, rigor e precisão na coleta de dados e na avaliação dos resultados, espírito de equipe e comunicação clara e precisa, ética e compromisso com a qualidade.

Raramente o cargo exigirá do profissional – salvo nas carreiras diretamente relacionadas, desinibição, exposição pessoal, ênfase na conquista individual ou disputa por um lugar ao sol. Pelo contrário, quando, no ambiente de trabalho, estão reunidas muitas pessoas com acentuada necessidade de reconhecimento individual, este se torna bastante competitivo e gera desconfiança pessoal: Será que meu colega vai roubar minha idéia e dizer que a idéia foi dele? Será que o meu funcionário vai roubar o meu lugar? Será que o meu chefe está se promovendo às minhas custas?

Refletindo sobre essas coisas penso que a depressão e as doenças relacionadas ao estresse no ambiente de trabalho estão bastante relacionadas a isso. No momento em que nossa auto-estima depende tanto da aprovação do outro, quando ele nos ignora, desvaloriza, desdenha e menospreza, perdemos o nosso eixo e... deprimimos.

Portanto, cuidado! Por fora uma bela viola e por dentro? Será que seremos pães bolorentos?

 
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